“Entra pra dentro”, “a gente vamos”, “hemorragia de sangue”, “estrupo”, “pobrema”, esses são, dentre muitos os exemplos, os parâmetros utilizados para se aferir a inteligência das pessoas. Basta alguém escrever ou pronunciar uma palavra de forma “errônea”, tida como corriqueira, escutam-se os berros: “É muito burro”, “Essa é demais”, “É um analfabeto”.

Este fato cabe alguns questionamentos, a saber: Será que algo tão complexo como a inteligência pode ser aferido apenas pelo conhecimento gramatical? Uma pessoa pode ser considerada “burra” por “errar” a escrita ou pronúncia de palavras corriqueiras? Conhecimento gramatical pode ser utilizado como único parâmetro de inteligência?

Estas perguntas ecoam em várias áreas do conhecimento. A linguística descarta este conceito (inteligência vinculado apenas a questões gramaticais), como também o de “certo” e “errado”, para ela o que existe é “adequado” e “inadequado”. Assim, deve-se levar sempre em conta a situação comunicativa.

Ademais, é bom notar que são inúmeros os exemplos de pessoas que conseguiram êxito na sociedade sem serem exímios conhecedores da gramática. Outra questão é que, se o conhecimento gramatical fosse garantia de sucesso, os professores de Língua Portuguesa ocupariam o topo da pirâmide social.

Howard Gardner, autor da teoria das inteligências múltiplas, afirma, em seus estudos, que há vários tipos de inteligência, como a inteligência linguística, musical, interpessoal, lógico-matemática, dentre outras.

Percebe-se, assim, que ninguém pode ser visto como “burro” ou “incompetente” por não dominar a gramática normativa. No entanto, é preciso enfatizar que quanto maior conhecimento o ser humano conseguir agregar, mais produtiva será sua vida acadêmica e intelectual. Além disso, o desenvolvimento da competência linguística oral e escrita possibilita maiores oportunidades nas mais diversas áreas do conhecimento.

Autor: Samy Santos

Professor de Redação e Língua Portuguesa

Um dos Redatores do Ubatã Notícias