A mistura de cachaça, vodka e outro tipo de destilado com guaraná, canela, mel e outras substâncias é capaz de transformar foliões em bobos da corte. Os garrafões contendo o que mais parece água suja estão em todo canto. O Príncipe já existe há alguns anos, mas agora ampliou seu reinado. “Tá saindo feito água”, avisa Marone Santos, 31, que vende o produto no circuito Barra/Ondina.

Os vendedores comemoram o sucesso, apesar de estudos já terem mostrado a presença de medicamentos controlados em alguns coquetéis. São muitos os casos de coma alcoólico. Há registro de mortes. “Não vou mentir. Tem gente que bota um monte de bagulho dentro. Mas o meu não tá batizado”, garante Isabel de Jesus Oliveira, 45. “No máximo, boto um pouco de jatobá”.

Existe uma espécie de ritual para tomar o Príncipe. A primeira regra é virar o copo. Depois, morder limão sem casca e leite condensado. “Corta tudo de ruim. Nem parece que você bebeu”, diz o estudante Daian Neto, 19, quase sem conseguir articular palavras. Ele está com outros três amigos que já tropeçam nas pernas e também ignoram os riscos. “Eu vou morrer é se eu não beber”, esnoba Felipe Santana, 20. Conhecedores falam num limite seguro de cinco copinhos.

“Depois daí, não garanto. Se tiver de barriga vazia o bicho pega. Tomei oito no Festival de Verão e não apaguei”, gaba-se o estudante Ramon Marques, 18. “Você tá tomando, é? Se o conhaque for do ruim, vão te levar carregado”, avisou à equipe do CORREIO.

O ator Heder Novaes, 20, foi o campeão da noite, com 12 Príncipes. “Essas bebidas não me influenciam tão fácil. Um amigo tentou me acompanhar e vomitou a noite toda. Depois, apagou”, conta. “Cuidado, velho. Você tá bem agora, mas tem gente que apaga do nada”, alertou Edilson Albuquerque, também de 20 anos, outro bebedor inveterado do Príncipe.

Não se sabe ao certo de onde veio a ideia da mistura. Fala-se de Porto Seguro. Alguns vendedores apontam o interior de Sergipe. Certo é que eles lutam para acabar com a má fama da bebida. A maioria descreve tim-tim por tim-tim os ingredientes, que variam muito pouco. O que não pode faltar é a canela.

“Olha. Aí tem aguardente, vodka, campari, canela de pau, canela em pó, guaraná, catuaba e ainda botei um conhaquezinho”, entrega a dona da Stilus.

Mas há os que terceirizam o serviço e não têm nem ideia do que foi colocado no garrafão. “Já comprei pronto, moço.
Fonte: Correio