PRIMEIRA PARTE

POR CLEMILSON LIMA RIBEIRO

No início da década de oitenta na Igreja Católica de Ubatã o movimento da juventude jovem era uma verdadeira febre. Existiam vários grupos de jovens. Dentre eles o AJA, O JUMEC, O JUSC, O AUSC, O DFC O GRUPO DE ORAÇÃO e O GRUPO VOCACIONAL, este formado, por aqueles com vocação religiosa celibatária, SER PADRE OU SER FREIRA. Era tudo muito bonito. Tínhamos orgulho do que éramos e do que fazíamos. Pos tudo era por amor a Ele.
Objetivando por em prática que “A FÉ SEM AS OBRAS É MORTA”, inspirados na Carta de Tiago, no | Novo Testamento, eis em um certo domingo houve uma assembléia geral onde ficou decidindo que a partir de então, cada grupo assumiria uma função específica dentro da igreja a serviço da comunidade e de acordo a sua aptidão, portando foram criadas as EQUIPES. A de cântico, (ministério de louvor) para animar as missas e os encontros religiosos; equipes de liturgia, para organizas os cultos; equipe de cataquese, responsável pela catequese infantil e pelo curso de crisma; equipe de assistência social, responsável pela elaboraçao de campanha para ajudar as pessoas carentes, amparo ao idoso e a criança abandonada, e visitação aos enfermos e dentre outras equipe foi então criada a EQUIPE DE TEATRO, cuja função era reproduzir textos bíblicos ou produzir textos com o fito de evangelizar e conscientizar o público não apenas nos aspecto espiritual, mas sobretudo no aspecto político social para que ele, o povo se considerasse sujeito da não objeto da história.
Naquela época estávamos experimentando os últimos dias do regime militar, lutando e combatendo a ditadura e na Igreja Católica encontramos o espaço negado pela escola: a oportunidade de expressar nosso ponto de vista a respeito das questões que até hoje algumas delas não foram resolvidas como democracia no seu sentido mais puro e verdadeiro, sem qualquer manobra; reforma agrária com a permanecia do homem no campo com condições digna de vida; ensino livre público e de qualidade para todos; saúde pública com qualidade de vida para todos; participação da juventude; da mulher do negro e do índio na política; questões sobre o aborto, a droga, a migração do homem do campo para os grandes centros urbanos; questões sobre o menor abandonado sobre o idoso desamparado; uso de forma alienante dos veículos de comunicação, assim como na cultura e no esporte, usados como massa de manobra e alienação política onde a maioria da juventude tornava-se sega, surda e muda para os graves problemas da sociedade que eram produzidos pelo governo da ditadura.
Estávamos sob o manto da Igreja Católica. Os textos eram produzidos por mim, por Paulo Catura, Delmário, Ayala, Pe. Valdir, além de outras pessoas ligadas ao movimento estudantil.
Aliás, a Igreja Católica de Ubatã, comandada pelo Pe. Waldir, era adepta chamada da teologia da Libertação, a mesma que influenciou a surgimento do PARTIDO DOS TRABALHADORES – PT, no ABC Paulista, no início de 1980, que culminou com o aparecimento do metalúrgico que se tornou presidente da república por duas vezes, o LULA.
Portanto, nossos espetáculos, principalmente, as peças de teatro em que eu escrevia dirigia e apresentava, assim como as músicas que Humberto Cezar (Beto de Aurino), Raimundo Cunha (o Dim), Neusa Costa, dentre outros, eram sempre inspirados nos Textos Sagrados, mas adaptados para a realizade da época. Todos nossos trabalhos e até mesmo os trabalhos humorísticos de Paulo Catura, traziam uma conotação política religiosa, cujo objetivo era evangelizar, de uma forma diferente, alegrando o público e fazendo com que este saísse dali pensando um pouco diferente e questionando sobre os fatos e os acontecimentos trazidos a baila cotidianamente pela mídia e pelo regime militar com forte influencia na escola, na música, nas telenovelas, no esporte e até mesmo na arte e na cultura de forma geral.
Nosso palco? Após a missa corríamos para encravar as tábuas que separavam, o salão paroquial do santuário da Igreja, para se transformar nosso teatro, nosso espaço, nossa praça, nosso portal de comunicação e interação com o público.
A divulgação principal ficava a cargo do Padre no final de cada uma das missas que ocorriam três quatros messes antes da apresentação. Ainda divulgávamos na VOZ DA PARÓQUIA, onde eu tinha um programa diário de segunda a sábado às 18:00 horas denominado “A VOZ DA PARÓQUIA”; contávamos também com a colaboração na divulgação com o serviço de auto falantes de Emiron Martins, o INTERSON SOM; VOZ DO POVO de Paulo Costa e a VOZ DA CIDADE, do saudoso Olival Santos, que passou para seu filho J. Carlos, em seguida o herói Mauro Dias. Por fim, fazíamos em média de dez cartazes com cartolina, pintada de pincel atômico e colávamos nas agencias bancárias, Banco do Brasil, Bradesco, Caixa Econômica Federal, Prefeitura, Câmara de Vereadores, mural da Igreja, ponto de ônibus e em algumas lojas cujos proprietários eram católicos.
Os ingressos eram antecipadamente vendidos pelas equipes de jovens da Igreja e por outros grupos especialmente o Apostolado da Oração, era quem mais vendia ingresso.
O produto da venda dos ingressos era totalmente revestido em prol de um projeto específico da Igreja ou da comunidade carente, com destaque especial para reforma ou construção de casa para alguém que precisasse; ou distribuição de alimentos e atendimento à saúde de pessoas pobres.
Os custos de cada espetáculo ou projeto eram mantidos pelo comercio e por algumas pessoas da Igreja católica, de melhor condição financeira. Homenagem especial a Dona Odete Bodeiro, ao Sr. João Máximo, ao Sr, Gildo Avelar, Sr. José do Ouro, Sr. Idelbrandino, Dora Maroca, Sr. Gildo Mendes Sr. Aldo Azevedo, Sr. Lozer, dentre outros que me perdoem por não lembrar. Não posso me esquecer que apesar de alguns pequenos nos conflitos ideológicos, até mesmo pelo momento político que vivíamos, mas o ROTARY CLUB DE UBATÃ, sempre um parceiro e incentivador do nosso trabalho. É porque alguns deles eram politicamente reacionários.