Gilmar faz o gol da vitória inacreditável do Tigre sobre o América-RN 

Do Globo Esporte

Nem foi preciso o quarto gol, o da vitória. Para Gilmar o empate com o América-RN já era o suficiente para que lhe valesse o choro, ainda que contido. Mas a infância sofrida em Ubatã, no interior baiano, e o susto do coração que lhe tirou do Corinthians, em 2010, ficariam mínimos diante da catarse no Heriberto Hülse depois que seu pé direito tocou a bola antes de terminar na rede. Quando o apito trilou pela última vez, o atacante caiu junto com as lágrimas de sua face. Boa parte dos 7.632 torcedores no estádio do Criciúma choraram com ele.

Quando entrou aos 17 minutos do segundo tempo, teve que encarar uma turba furiosa pelo time ter cedido empate quando tinha um a mais. O América teria um a mais também no placar aos 28. No então inviolável Heriberto Hülse, 3 a 1 para o time que veio de longe. Parecia que tudo havia ido por água abaixo. Não para quem teve que surgir das profundezas para não ser engolido pela poeira do interior baiano.

— Quando tomamos o terceiro gol, percebi o semblante dos meus companheiros e vi que estavam meio para baixo. Passei incentivo e que acreditassem até o final.

E que final! Aos 39 do segundo tempo, Gilmar transformou as palavras a quem jogava de amarelo, preto e branco um alento. Botou na rede e diminuiu. Esperança, a última que morre, ainda tinha alguns minutos de vida. No Criciúma ninguém morreu. Da bacia das almas, o sopro de vida com Lucca aos 42. O empate bastaria diante do cenário de terra arrasada de minutos anteriores. Porém ainda havia pulso. Já nos acréscimos, a bola se apresenta no lado direito, depois da zaga afastar mal o levantamento na área. Nesta hora, quase sem ângulo, só restava acreditar. Gilmar acreditava e por isso fechou o olho e soltou a perna direita. Fez com que tantos outros acreditassem. Entrou.