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Artigo: Do Documentário “O Nó”

Por Clemilson Ribeiro – Advogado

Acabei de assistir ao documentário de autoria do amigo Dilson Araújo “O NÓ, ATO HUMANO DELIBERADO” que trata com muita responsabilidade e precisão sobre o terrorismo biológico ocorrido na nossa região do cacau na década de 90. Confesso que não me recordo de quando me deparei diante de tamanha indignação e revolta.

Minha militância estudantil, cultural e política começou no inicio da década de 80, não apenas em Ubatã, como nessa região da qual eu sou um apaixonado, defensor e entusiasta. Sem falsa modesta conheço um pouco, por militância, os problemas da minha região.

Atuei, como ativista no movimento pela estadualização da FESPI, hoje UESC, para proteção da CEPLAC, SULBA e Instituto de cacau da Bahia, dentre outros movimentos regionais e que saudades desses movimentos, todos pacifistas. Só perdemos a SULBA, o ICB e a patrulha mecânica da Ceplac para o Derba, com uma frota de mais de 100 veículos, e maquinas e equipamentos que servia a zona rural e urbana dos nossos municípios.

Agradeço a Deus por sermos e termos formação cristã, pacífica e harmoniosa, que nos proporcionam princípios de humanidade, de solidariedade e…..de perdão? A extrema gravidade do fato, que passou e tem passado despercebido, graças a Deus, não alcançou um sentimento de revolta coletiva de maneira a nos levar a agirmos como….infelizmente???? fazem nossos irmãos no oriente médio.

Saber o que era essa região, sua riqueza, sua beleza, seu potencial, sua solidez econômica a nível nacional e internacional e depois ver como tudo deliberadamente ocorreu para culminar com o caos, a falência total, onde inúmeros fazendeiros foram e vem sendo vítimas de suicídio, infarto, derrame cerebral; saber que o chamado TERRORISMO BIOLÓGICO DO CACAU de quem fomos e somos vítimas ocasionou saldo de 250 mil desempregados, 800 mil pessoas deixaram o campo e migraram para as cidades para viveram em favelas isso em mais de noventa municípios afetados, sem que nada, absolutamente nada ter sido feito pelo Governo Federal – MAIOR CULPADO – a não ser a inúmeras Execuções Ficais contra os cacauicultores….é revoltante….é muito revoltante.

E o documentário termina dizendo “NÃO HOUVE PUNIÇÃO….NINGUÉM FOI RESPONSABILIZADO…RESTARAM APENAS: AS VÍTIMAS, OS DANOS, AS EVIDENCIAS, E A INDIFERENÇA DO ESTADO BRASILEIRO”. E em mim, nessa manhã, confesso, lágrimas…..lágrimas e sentimento de revolta e indignação. Parabéns, Dilson…..a você a tantos outros que amam esta região e documentaram esse fato para que a futura geração saiba o que fomos, o que somos e o que poderemos ser.

3 respostas para “Artigo: Do Documentário “O Nó””

  • Valtencir Pinto says:

    Parabéns Clemilson pelo seu artigo, eu morava em Gongogí quando tudo isso começou, e pude ver de perto a decadência da nossa região, a primeira fazenda de cacau que foi totalmente “dizimada” ficava as margens da BA 002 que ligava Gongogí, Banco Central e a BR 101. Eu vi tudo isso acontecer, inclusive o declínio das nossas cidades…

  • Felipe says:

    Muito bom o documentário,realmente é uma passagem da nossa história que ficou oculta,ninguém faz questão de desenterrar esta história,afinal tem muitos interesses polítcos envolvidos.

    O que aconteceu em nossa região foi o um dos maiores crimes de TERRORISMO BIOLOGICO da historia,éramos a região mais rica do brasil,geravamos mais dinheiro que todo o ABC Paulista e graças a um plano articulado por GERALDO SIMÕES para derrubar os barões do cacau e ganhar poder político.

    O Saldo foi de 200 mil trabalhadores desempregados,o prejuízo nesses últimos 15 anos já ultrapassou R$ 15 Bilhões.

    Em entrevista a VEJA, Luiz Henrique Franco Timóteo, baiano, 54 anos, contou detalhes de como ele próprio juntamente com Everaldo Anunciação, Wellington Duarte, Eliezer Correia e Jonas Nascimento.Os acusados é claro desmentem categoricamente qualquer envolvimento na sabotagem e dizem até que nem sequer conhecem Franco Timóteo,autor da denúncia.

    Repassem esta história,não deixem esse ato criminoso cair no esquecimento.

  • Dorcas says:

    Acabo de comprar um jornal em Itabuna,DIÁRIO DA BAHIA, 31/10/2012 onde a manchete do dia é “para variar”
    MENORES PERDEM “matemática da morte”
    (referindo-se à violencia contra jovens em Itabuna).
    Essa referida matéria, diz que vale lembrar, que no ranking da violencia, Itabuna tem liderado e no momento Itabuna esta como a quarta cidade mais violenta do Brasil para jovens.A foto do pai ajoelhado abraçado ao corpo do filho é por demais triste, chocante e revoltante. O que os reporteres dessa região estão esquecendo de dizer sempre,é que a causa dessa violencia, é o “efeito dominó”do crime da vassoura de bruxa, que jogou 8oo pessoas nas periferias das cidades da região cacaueira em total situação de miséria.

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