Por Paulo Cabral Tavares - Advogado

Por Paulo Cabral Tavares – Advogado

Não caiu bem para o São Paulo ganhar a sul-americana do jeito que ganhou. Eu acho que os argentinos são geneticamente catimbeiros e os garotos do Tigre estavam perdidos em campo, principalmente depois dos dois a zero. O São Paulo sempre manteve a posse de bola bem maior que los hermanos e mandou na partida todo o tempo em que a bola rolou. Mas repercutiu muito mal o Tigre não voltar para o segundo tempo. Repercussão mundial, manchetes chamando de vergonha o que aconteceu etc. Sou daqueles que acreditam que o jogo se ganha no campo. Brigando pela bola, com garra, com categoria e com classe. Fazendo gols, bonitos, feios, de placa ou com a canela. Mas fazendo gols no campo.

Acabou o jogo, acabou a guerra.

Civilizadamente se deve cumprimentar o vencedor, trocar camisas, e reconhecer que perdeu. O que não dá é ganhar ou tentar ganhar no tapetão.

Nos últimos quatro anos nós vivemos num verdadeiro inferno em Ubatã, pois, os que perderam pelo voto conseguiram liminares, que foram cassadas, voltaram novamente ao poder com outra liminar que veio a ser cassada e por aí a fora. Se quando existe continuidade já é muito difícil de aturar os péssimos governos que temos tido, imagine trocando de prefeito a cada semana, ou a cada mês.

Creio que não exista uma só pessoa, sem um interesse subalterno, que tenha ficado satisfeita com o que aconteceu em Ubatã nos últimos anos. Muitos conseguiram sobreviver milagrosamente todos os governos.

Aqui quem perde não se conforma e terminou a eleição começa uma nova guerra. Ficam inconformados por que este campeonato não tem returno. Gente para dizer que foi comprada (porque se deixou vender?) que recebeu vantagem (por que recebeu?)  ou que teve promessa de receber vantagem após a eleição, nunca faltou nem vai faltar.

E já se tenta derrubar Siméia, antes de começar a governar!!!

Sem lhe dar uma chance de mostrar a que veio.

Temos que reconhecer que, com todos os problemas que uma eleição democrática tem no Brasil, a nossa foi uma eleição livre. O resto é o que chamamos em direito, o jus sperniandi  (o direito de espernear). De reclamar, de não se conformar.

Será que vamos merecer outra vez os (des) governos fatiados como tivemos nestes quatro anos de chumbo? De atraso?

Não seria já o momento de nossos políticos amadurecerem e viverem política e democraticamente uma vida normal? Dentro de uma realidade que salta aos olhos?

Mesmo entre aqueles que não votaram em Siméia me parece que muitos não desejam que voltemos a ter tantos prefeitos num só quatriênio e chegar onde chegamos. Com prefeitura com luz cortada, fechada, servidores recebendo somente através de liminares na Justiça, greves por cima de greves que eu acho justas, mas que não podem prejudicar os que nada têm a ver com isso (nós tivemos no ano passado apenas 120 dias de aula quando deveríamos por norma ter 200 dias no ano). E não se contabilizando uma obra sequer na cidade. Não foi fácil e não será fácil se os que não se conformam com a derrota conseguirem na Justiça impedir que Siméia governe.  Aí vai ser novamente aquela aflição para os servidores, para a população e para a cidade.

Eu acredito, inclusive, que a Justiça deveria ter a visão do mal que pode causar um retrocesso como o que ocorreu em Ubatã nos últimos quatro anos. Para conceder uma medida drástica como as que foram concedidas, e pensando no bem da coletividade, as provas apresentadas deveriam ser muito fortes, muito robustas.

De qualquer sorte não é bonito ganhar no tapetão. E o povão não gosta disso. Bonito é ganhar no campo, como o Corinthians fez. Sofrendo, lutando, com o coração na ponta da chuteira, como dizia o imortal Nelson Rodrigues, mas no campo. Vale até um pouco de catimba. Mas que não se saia derrotado do campo e venha querer virar o jogo no tapetão. Vitória que eu acho quase impossível, mas mesmo que ocorra não enobrece ninguém, pelo contrário, pode até envergonhar o vencedor.