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Artigo: Dos Sonhos

Por Paulo Cabral - Advogado

Por Paulo Cabral  Tavares – Advogado

Diz a lenda que Michelangelo quando foi convidado a pintar o teto da Capela Sistina, o papa que iria contratá-lo, Sisto IV, pediu que ele fizesse um trabalho, alguma coisa para testar a sua capacidade. Miguel Ângelo, para dizer seu nome em português, pegou então de um pincel e fez a mão livre, um círculo perfeito, na mesma hora. A circunferência saiu tão perfeita e o papa ficou tão impressionado que contratou o pintor imediatamente. Pelo que ainda se vê hoje, o papa estava certo. Fazer o belo, o perfeito de maneira simples é uma característica dos gênios.

Os sonhos também são assim. Existem muitas pessoas que se contentariam em realizar os seus sonhos de maneira muito humilde. Eu conheço um trabalhador que vive sonhando em comprar uma bicicleta. Para poder desfilar nos dias de domingo com a sua bike estilosa para impressionar os amigos, quem sabe, a mulher amada. Eu me lembro, por exemplo, de Manoel Vigia que quando começou a loteria esportiva e a gente trabalhava no Funil, eu lhe perguntei qual a primeira coisa que ele compraria se ganhasse sozinho na loteria, ele pensou um pouco e me respondeu cheio de ênfase – “uma farda de soldado”. Pois é, coisas simples, sonhos simples de se realizar.

Mas outros têm sonhos muito mais complicados. Existe muito jogador de futebol, muito jogador de basquete norte-americano, muito artista que ganham milhões, mas se sentem frustrados e são infelizes porque o seu colega ganha mais do que ele. Um pouco mais e isso lhe mata de inveja. A inveja é um sentimento terrível, cria ódios irracionais, paixões inacreditáveis e, pior que tudo, pode até matar. Dizem os estudiosos que a inveja dá câncer e infarto no miocárdio.

Mas é impossível ao ser humano não cultivar um sonho. Explícito ou secreto, grandes ou modestos, mas nós temos que sempre (sempre!!!) aspirar alguma coisa. Desde um carro novo no final do ano, a uma bicicleta, ou até a “uma farda de soldado”.  Se nós deixarmos de sonhar estaremos perto da morte e não sabemos. Eu não estou falando de grandes realizações, de grandes projetos, daquele sentimento de tentar mudar o mundo que um dia nós cultivamos. Não, eu estou falando de pequenas coisas que no dia a dia aspiramos. Pequenas realizações, mas que nos afagam o ego, que nos deixam felizes momentaneamente e realizados.

Eu teimo em ser um agricultor da esperança. Quero sempre cultivar esta plantinha e regá-la todas as manhãs. Sempre acordando como se estivesse vivendo um novo recomeçar. Porque por pior que seja o dia anterior, quer você queira ou não, haverá sempre um novo dia. Um novo amanhecer. É preciso tomar cuidado com a prima-irmã da esperança. Outra planta que se chama desesperança. Devemos cuidar para não deixá-la progredir no nosso pomar espiritual. Erradicá-la por mais insistente que ela seja.

E sonhar, mesmo que de manhã as nuvens estejam carregadas anunciando uma tempestade. Mesmo que tudo esteja muito difícil pela frente, é preciso enfrentar os problemas do dia a dia com coragem, com determinação e inteligência, para que nós possamos escrever a nossa própria história com altivez e dignidade. 

E sonhar, mesmo que o sonho seja supérfluo, pois, como diria Voltaire, o supérfluo é indispensável.

2 respostas para “Artigo: Dos Sonhos”

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