Por Paulo Cabral Tavares - Advogado

Por Paulo Cabral Tavares – Advogado

Um velho índio norte-americano costumava dizer que tinha dentro dele dois cães que viviam brigando um com o outro permanentemente. Um era do bem e o outro era do mal. Brigavam, como costumam fazer os animais, para dominar o território. Quando lhe perguntavam qual dos dois cães ganhava a briga, ele respondia, ganha o cão que eu alimentar.

De fato, nós costumeiramente alimentamos um ou outro cão. O do amor ou o do ódio, do ressentimento, da raiva, da intolerância. Quando não alimentamos os dois. Ora um, ora outro. E nos tornamos presas de um ou de outro. Depende de nós, de nossa disposição, de nossa índole.

Li outro dia, um verso de um tresloucado poeta de Ipiaú que dizia que dentro de mim, existe um ser que veste hábito. Naturalmente queria dizer que dentro dele morava um monge. Cheio de tolerância, de compaixão, de amor. Mas que vez por outra era amordaçado (o monge que habitava nele). Que ele deixava de alimentar e às vezes perdia o direito de voz e de opinião. E outro ser, que não vestia hábito, muito pelo contrário, tomava conta do pedaço.

Alimentar boas ideias, cultivar bons sentimentos faz de nós pessoas melhores. Porque nós somos aquilo que pensamos, que elaboramos em nossa consciência, o que poderá vir à tona a qualquer momento, às vezes em todos os momentos, clara ou veladamente. Pois, nós não conseguimos parar de pensar. Mesmo em sonhos estamos pensando, de forma incontrolável, mas continuamos pensando.

A cada instante pensamos, decidimos, escolhemos a forma de agir de maneira quase automática. Passamos o tempo todo fazendo opções, decidindo, como se estivéssemos dirigindo um carro quando mudamos a direção, desviamos de um buraco ou de outro veiculo e não podemos perder a concentração. Se não, atropelamos alguém ou nos tornamos vítimas desta arma que é o veículo em movimento.

Se pretendemos um mundo melhor, é bom domar nossas feras, alimentar os cães bons que existem dentro de todos nós e segurar os nossos seres que não vestem hábito.