Por Félix Mendonça Jr. - Deputado Federal

Por Félix Mendonça Jr. – Deputado Federal

Reduzida a menos de 10% dos cerca de 300 mil hectares que chegou a ocupar na década de 1930, quando era a principal atividade econômicada Bahia, a lavoura cacaueira levou para as comemorações deste 16 de junho, Dia Internacional do Cacau, muitos pleitos em busca de soluções.  Em primeiro lugar, há a necessidade imperiosa de revisão das dívidas dos cacauicultores, com a possibilidade de anistia. Pleito que se faz premente no momento em que o governo brasileiro perdoa dívidas de países africanos concorrentes na produção da amêndoa de cacau, conforme denúncia do escritor grapiúna Hélio Pólvora no artigo “Só o  cacau não tem perdão”.

Outro grave problema são as criminosas importações de cacau “in natura” da África e da Ásia, que trazem larvas e insetos vivos e até cadáveres de clandestinos, o que põe em risco a biodiversidade no Brasil, com a finalidade única de pressionar para baixo o preço do cacau brasileiro.  A boa notícia mais próxima no horizonte da cacauicultura, aguardada ainda neste mês de junho, é a definição da Política de Garantia de Preço Mínimo (PGPM) pelo Ministério da Agricultura. Assim, pretende-se cobrir ao menos os custos de produção, a exemplo do que já ocorre com outras lavouras.

Espera-se também que o biofungicida Tricovab, desenvolvido pela Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac), possua realmente uma eficácia em torno de 97% como seus especialistas afirmam.  A recuperação do cacau tem ainda considerável importância para a preservação do meio ambiente, uma vez que sua lavoura está associada à Mata Atlântica e à Floresta Amazônica. Por isso, a Frente Parlamentar em Defesa da Lavoura Cacaueira trabalha pela aprovação do Selo Verde Cacau Cabruca e Cacau Amazônia (Projeto de Lei 3665/2012), que tramita na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados e pretende garantir preço e créditos difereciados a um produto sustentável também ecologicamente. Afinal, o fruto de tanto suor e trabalho dos cacauilcultores brasileiros não pode ser, literalmente, jogado fora.