Paulo Cabral é advogado ubatense (Foto: Ubatã Notícias)

Antigamente era mais fácil.

A gente sabia direitinho onde ficava o céu, o paraíso.

Onde ficava Deus: no céu, ali em cima.

O Éden, o paraíso antigo na terra, ficava no Iraque. Perto ou entre os rios  Tigre e Eufrates.

Era bom o tempo em que Enoch, segundo seu livro (O Livro de Enoque que não consta da Bíblia, mas consta de outros escritos, e é muito popular, por exemplo, na Etiópia), mandava emissários ao Éden buscar plantas para fazer um chá para um filho doente. A Bíblia conta que Enoque não morreu, pois, ele andava com Deus e Deus o tomou para si.

Não existiam dúvidas, “ali” em cima, no azul, ficava o céu, Deus, as estrelas e todos os demais astros.  

O inferno nunca se soube direito onde ficava. E é bom nem saber. Pior ainda o Purgatório, invenção da igreja católica.

Agora, com o progresso a coisa complicou. Se os babilônios quiseram construir uma torre para chegar ao céu que ficou conhecida como Babel, os astronautas tomaram outro caminho e foram direto para cima, cada vez mais para cima. Muitas vezes mais que a limitação de uma construção de tijolos. Muito além da imaginação dos religiosos.

E não acharam o céu. E, graças a Deus, também não acharam o inferno.

A coisa perdeu um pouco da graça. A gente não sabe direito para onde ir, se andar corretamente nesta vida e for salvo. Ser salvo é uma ideia interessante. Ser salvo de que?

Ou devemos ressuscitar? Dos mortos?

Às vezes não vale a pena pensar nestas coisas. Porque é muito complexo. E nunca se chega a uma resposta satisfatória.  

Talvez o melhor seja mesmo fechar os olhos e apostar no escuro, na fé. O pior que a fé não se acha, não se adquire, é um dom.

Talvez devamos mesmo acreditar sem pedir explicações, cada vez mais difíceis.

Mas que eu gostaria de saber onde fica o paraíso, gostaria.