Cacique pediu a saída do presidente Jair Bolsonaro do cargo (Adriano Machado/Reuters)

O cacique caiapó de 89 anos, criticado pelo presidente Bolsonaro na Assembleia-Geral da ONU esta semana, tem um longo histórico de defesa dos povos nativos brasileiros. É um líder indígena reconhecido mundialmente há décadas. Raoni conversou com a repórter Sônia Bridi, em Brasília, e rebateu as declarações de Bolsonaro. Nos anos 1950, os irmãos Villas-Boas desbravavam um território ainda desconhecido para a maioria dos brasileiros, o Xingu. Um jovem índio de 27 anos, de botoque e cocar, viu brancos pela primeira vez. Mais de seis décadas depois, o cacique de 89 anos responde aos comentários do presidente Bolsonaro: “Acho que ele nunca conheceu a minha luta. Acho que não conhece a minha história”. Com os Villas-Boas, Raoni aprendeu português, a língua que agora, idoso, ele evita falar, diz que em caiapó expressa melhor seu pensamento. Tradutor entre índios e brancos, ele foi recebido por presidentes, ministros, líderes internacionais, príncipes. Só este ano, o Papa Francisco e o presidente da França, Emmanuel Macron, ouviram de Raoni o pedido de ajuda para salvar a floresta e os povos indígenas. Macron também participou da Assembleia-Geral da ONU, onde Bolsonaro foi o primeiro a discursar. “A visão de um líder indígena não representa a de todos os índios brasileiros. Muitas vezes alguns desses líderes, como o cacique Raoni, são usados como peça de manobra por governos estrangeiros na sua guerra informacional para avançar seus interesses na Amazônia”, disse o presidente brasileiro. Confira a entrevista na íntegra aqui