Paulo Cabral é advogado, poeta, cronista e contista (Foto: Ubatã Notícias)

Não, eu não quero voltar para o passado.
Nem me lembrar dos gloriosos dias da juventude.
Por maior que seja a tentação.
Quero jogar fora aquelas roupas “cheirando a guardado de tanto esperar”.
Eu quero me vestir da poesia mais bonita.
Eu quero me embebedar de lirismo.
Eu quero sentir o cheiro de roupa nova.
Ainda não vestida.
Cantar uma nova canção, feita justamente para este momento.
E gostaria que ela fosse tão bonita que pudesse fazer esquecer todas as antigas.
E que pudesse espantar todas as mágoas.
Que pudesse embalar novos projetos de vida. Novos sonhos. Novas metas.
Por mais paradoxal que seja.
E que todos que a ouvissem, pudessem sonhar outra vez.
Que pudesse de novo nos fazer felizes.
E pudéssemos cantar juntos.
E reescrever a vida.
E, quem sabe, dançar na praça.

Paulo Cabral Tavares