Em 1993, quando Edson Neves assumiu, por vitória eleitoral, a prefeitura de Ubatã, eu estava com 11 anos. Hoje, quando ele assume a mesma prefeitura, conto 30 anos.
Gosto de pensar que a forma como conquistou o governo desta vez será a única forma dele tornar-se prefeito – em qualquer época, em qualquer circunstância. E o mesmo espero para quem quer ele venha a apoiar.

Pouco mais de 18 anos passaram entre aquela posse e a atual conjuntura. Duas coisas, a mim, parecem claras:

1 – Nenhum dos prefeitos que a cidade teve de lá pra cá vale uma palavra de elogio.

2 – Edson Neves (e, por extensão, aqueles que o apóiam) nunca respeitou nada ou ninguém além de si ou daqueles que ele considera poderosos. Por que agora, quando assume mais uma vez a cadeira de prefeito, desta vez sem apoio popular, seria diferente?

Algumas questões são básicas à democracia e ao senso de liberdade. Quando é preciso escolher entre Moral e Ética, a Ética é a escolha. Quando é preciso escolher entre Crença e Liberdade, a Liberdade é a escolha. Quando é preciso escolher entre o Direito e a Justiça, a Justiça é a escolha.

Uma professora não aderiu à greve? As diretoras pressionam os professores com o controle da presença? O prefeito nega-se a receber a diretoria do sindicato enquanto durar a greve?

Nada disso importa. Os estudantes estão sem cadeiras, a merenda precisa melhorar, os salários estão sendo dilapidados… A Prefeitura tem contas a prestar.

Se faltam Ética, Liberdade e Justiça na cidade, a Assembléia Geral da APLB de Ubatã tem agora a oportunidade rara de fazer a coisa certa: sustentar a greve.
Os professores precisam fazer isso por si, por mim, pelos pais, pelas crianças, pela Educação, por toda a cidade. E assim, quem sabe, mostrar a todos nós (trazendo a nossas já embotadas memórias) o que é dignidade.

Tiago Costa Fernandes – Professor e Funcionário Público