Vereador fala sobre bloqueio de bens e contas do prefeito

UN – Vereador, os bens e as contas do prefeito foram realmente bloqueados?

Vereador Elmar – Sim. Estão bloqueados da forma que nós já noticiamos em entrevistas aos meios de comunicação da região. A Justiça Federal moveu uma ação civil pública contra o prefeito Jorge Fair, com a alegação de que houve enriquecimento ilícito, improbidade administrativa, e determinou a penhorabloqueio de bens no sistema beacenjud. O bloqueio foi cumprido parcialmente por insuficiência de saldo. O fato é que o bloqueio existe, é verdadeiro e nós podemos provar.

UN – Mas o prefeito Jorge Fair emitiu uma nota nos diversos meios de comunicação negando esse fato. O que você tem a dizer?

Elmar Lopes – O prefeito é mentiroso. Desde de 2007 quando fizemos a denúncia na televisão, ocasião em que o prefeito não foi se defender, ele montou uma estratégia em rádios locais para tentar esconder a verdade. Locutores, que têm contratos com valores altos com a Prefeitura e atuam em rádios da região, são orientados a criar histórias mentirosas. As ações do prefeito são feitas de forma organizada, onde no mesmo momento as rádios noticiam as mentiras, ele põem carros de som nas ruas de Ibirataia e tenta transformar a mentira em verdade.

UN – De que trata, especificamente, este processo em que o prefeito e alguns secretários são acusados de improbidade administrativa?

Elmar Lopes – Após a denúncia, veio a Ibirataia a Controladoria Geral da União – CGU – e realizou uma auditória fiscal nas contas públicas. Foi identificado diversos depósitos nas contas pessoais do prefeito Jorge Fair, de sua esposa Leila, do seu cunhado Joaquim e de alguns secretários. Tudo isso consta no relatório da CGU publicado em 2008, que resultou na abertura de inquérito na Polícia Federal. Em janeiro deste ano, a PF concluiu o inquérito e remeteu ao Ministério Público Federal, que analisando o conjunto probatório apurado em tal inquérito, proferiu decisão que resultou no bloqueio nas contas bancárias do prefeito e secretários envolvidos. A decisão judicial acusa Jorge Fair de enriquecimento ilícito e crime de improbidade administrativa.

UN – O que lhe levou a fazer oposição ao governo Jorge Fair?

Elmar Lopes – Sempre tivemos uma relação tranqüila com a família do prefeito. Ocorre que quando Jorge Fair assumiu em 2005, eu ocupava o cargo de presidente de Conselho do FUNDEF, que hoje é FUNDEB. Foi quando descobrimos que os recursos destinados à educação eram desviados pelo prefeito e parte de sua equipe. Empresas fantasmas, processos licitatórios suspeitos, notas ficais suspeitas foram descobertas. Foi quando em 2007 apresentamos denúncia em seis órgãos de fiscalização e controle, incluindo TCM, e Polícia Federal. As provas que conseguimos levantar tinham uma consistência muito grande, já que tínhamos acesso ao Tribunal de Contas. Por esta razão, vimos que o governo não era sério e decidimos nos opor às ações praticadas por Jorge Fair e sua equipe.